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O termo Fisioterapia
Social foi cunhado há mais de 40 anos pela ABF, pois muito
mais que recuperar a saúde ou combater a doença, o
fisioterapeuta também tem a responsabilidade social de promover
as condições e os meios para que a saúde floresça na população.
Desde 1994, o Programa
Saúde da Família (PSF) passou a ser considerado uma
das principais mudanças estruturais realizadas pelo Ministério
da Saúde (MS). É a estratégia prioritária do governo federal na
área da saúde, assumida como eixo estruturante da atenção básica
no Brasil.
A equipe básica do PSF
é constituída por, no mínimo, um médico, um enfermeiro,
um auxiliar de enfermagem e quatro a seis agentes
comunitários, e tem como objetivo geral melhorar o estado de
saúde da população, mediante a construção de um modelo
assistencial baseado na promoção, proteção, diagnóstico precoce,
tratamento e recuperação da saúde, em conformidade com os
princípios e diretrizes do SUS e dirigido aos indivíduos, à
família e à comunidade. Essa estratégia de organização dos
serviços vem demonstrando capacidade de aumentar a
resolutividade dos serviços, diminuindo a procura por serviços
hospitalares e promovendo a melhoria nos indicadores de saúde,
nas cidades brasileiras onde está atuante.
A Resolução CNE/CES nº 4,
de 19 de fevereiro de 2002, publicada no Diário Oficial da União
em 4 de março de 2002, institui as DDCC Nacionais do Curso de
Graduação em Fisioterapia, a serem observadas na organização
curricular das IES do País, o Artigo 3º dessa Resolução define
como perfil profissional o fisioterapeuta com formação
generalista, humanista, crítica e reflexiva, apto a atuar em
todos os níveis de atenção à saúde. Deve ter visão ampla e
global, respeitando os princípios éticos/bioéticos e culturais
do indivíduo e da coletividade. O parágrafo único do Artigo 5º,
referente às suas competências e habilidades específicas,
determina que: “A formação do fisioterapeuta deverá
atender ao sistema de saúde vigente no País, a atenção integral
da saúde no sistema regionalizado e hierarquizado de referência
e contra-referência e o trabalho em equipe”.
Assim como os médicos e
enfermeiros, que há muito lutam pela Saúde Pública e pela
construção do SUS no País, pela conquista de seus espaços e da
possibilidade de trabalho em programas como o PSF, a
Fisioterapia também deve conquistar esse campo de atuação.
As equipes do Programa
Saúde da Família (PSF) são equipes multiprofissionais, incluindo
o fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional, além dos
profissionais da equipe básica estabelecida pelo PSF. A
fisioterapia no PSF é uma situação totalmente diferente do
atendimento ambulatorial o profissional vai à casa do paciente,
em lugar de atendê-lo no consultório. É uma nova forma de atuar
do fisioterapeuta frente à realidade da população. É a atuação
transformadora do fisioterapeuta na saúde pública. Entretanto,
para se fixar como profissão atuante e necessária à saúde
pública no país, deve-se ter consciência de que esse processo
inicia-se na graduação, pois uma categoria profissional forte é
construída ainda na universidade, sendo ela capaz de pensar e
repensar sua própria atividade e prática, e a partir disso,
traçar novos objetivos e metas, mudanças de rumos e novas
orientações para seu crescimento.
O vínculo maior entre o
fisioterapeuta e o Sistema Único de Saúde está
relacionado ao setor privado, por intermédio de convênios
estabelecidos com as clínicas e os prestadores de serviços de
Fisioterapia. No entanto, a presença desse profissional no setor
público ainda é pequena, senão nula, em algumas regiões.
A inclusão do
fisioterapeuta no Programa de Assistência Domiciliar
Interdisciplinar (PADI) também é uma importante conquista na
área.
(Luciana Alves Tapia Schmidt) |