|
A Fisioterapia Desportiva
é uma das áreas de atuação do profissional fisioterapeuta na atualidade,
o profissional inevitavelmente está sujeito a inúmeras e constantes
pressões e cobranças em termos dos resultados de seu tratamento para um
retorno funcional e no menor tempo possível do atleta à sua prática
desportiva. As situações esportivas expõem ao mesmo tempo, sobrecargas
posturais, forças excessivas e repetitividade.
A Fisioterapia Esportiva é um componente da Medicina Esportiva, sua
prática e métodos são aplicados no caso de lesões causadas por esportes,
com o propósito de recuperar, sanar e prevenir as lesões. A fisioterapia
esportiva tem como objetivo principal devolver o atleta o mais rápido
possível para a prática esportiva após uma lesão. O trabalho da
fisioterapia desportiva é bastante diferente dos outros, pois tudo tem
que ser muito rápido e funcionalmente mais efetivo, pois o atleta mais
do que qualquer outro indivíduo precisará executar todas as funções do
seu corpo, músculos, ossos e articulações, no máximo de potência e
amplitude para execução perfeita de todos os movimentos. Dentro da
fisioterapia do esporte é também importante a integração do trabalho
estático com o treinamento do indivíduo através da reeducação dos atos
motores específicos da modalidade. O fisioterapeuta através da avaliação
clínica e funcional individualizada do atleta pode colaborar com o
treinamento, orientando os indivíduos e respectivos treinadores quanto
aos possíveis desequilíbrios musculares presentes e o desempenho
biomecânico do esporte em questão. O aspecto preventivo no tratamento
das lesões esportivas quer se discuta atividade física de alto
desempenho quer como mero coadjuvante de tratamentos médicos é
importante. Com a finalidade de atuar preventivamente a fisioterapia
precisa redirecionar seu foco de atenção, usualmente centrado nas lesões
já instaladas, para situações com possível risco para o aparelho
músculo-esquelético.
A última década do século passado revela a aceleração das mudanças na
prática esportiva. Consolida-se a idéia de esporte como direito de
todos. Grupos até então pouco atendidos na questão da atividade física
ganham mais atenção. Dois exemplos de tal transformação são a terceira
idade e a pessoa portadora de deficiência.
Amplia-se o próprio conceito de
esporte, desmembrado em esporte-participação (lazer) e esporte de
rendimento (competição). O papel do Estado também se altera. Ele deixa
de apenas tutelar as atividades esportivas. Passa a investir em recursos
humanos e científicos. Além disso, no campo do alto rendimento, dá
atenção especial às questões éticas, como o combate ao doping.
Com isso, vários pesquisadores
das causas das lesões desportivas denunciam a incidência alarmante de
sua ocorrência nos dias atuais, tornando fundamental a adequabilidade de
ações para evitá-las. A propósito, esses estudos estimulam o
conhecimento dos cuidados preventivos, visando a reduzir as lesões
desportivas na prática de atividades físicas, havendo, portanto, a
necessidade de identificar as variáveis determinantes dos danos a elas
relacionados, em termos de padrão, traço e tipo ou da combinação de tais
elementos.
Na realização de atividades físicas em geral, pouco uso se faz dos
aplicativos dos estudos disponíveis sobre o problema discutido. É o que
se registra, por exemplo, no campo de atuação da Fisioterapia e
até mesmo da Educação Física ao considerar o trabalho de
profissionais de ensino e dirigentes técnicos. Dessa forma, a população
adepta a exercício físico, com propósito competitivo ou de recreação,
fica a mercê dos riscos, ou seja, dos acidentes provenientes dessa
prática.
Embora esses agravantes se
apresentem, eles não pioram o problema nem são vistos como evidências
para que o usuário seja afastado das atividades físicas, mas têm
apontado para recomendações que garantam, minimamente, a segurança da
comunidade esportiva.
Entre os autores não há unanimidade no enfoque do conceito de atividade
física, assim, a atividade física, como qualquer manifestação humana,
tem significado especial e diferenciado na espécie. Pode ser considerado
como qualquer movimento produzido pelos músculos esqueléticos que
resulta em gasto de energia.
Registra-se grande interesse por
esses danos físicos nos mais variados grupos de pesquisa. Em
considerável quantidade de investigações empreendidas hoje, na área de
esporte e lazer, estuda-se o problema das lesões desportivas na
tentativa de chegar a um consenso sobre lesões. Segundo a literatura
científica, quando se conhecem as causas que levam ao aumento da
incidência na ocorrência de lesões desportivas é possível adotar medidas
de prevenção e/ou de cura para reduzir os problemas daí advindos. Essa
idéia implica o pressuposto dos fatores causais na ocorrência do dano
durante a prática de atividades físicas, mas também aponta os meios de
evitá-lo ou diminuí-lo. É essencial que fisioterapeutas, educadores
físicos e demais profissionais envolvidos com atividades físicas tenham
conhecimento dos fatores causais agravantes, para acessarem as ações
preventivas.
Dentre as lesões mais comuns estão as tendinites, lesões ligamentares,
contusões e distensões, entorses, luxações e subluxações, fraturas e
abrasões (Desgaste da pele por meio de algum processo mecânico inusital
ou anormal), bolhas e calos, e cortes em geral.
O joelho é uma das articulações
mais exigidas por quem pratica esporte, haja a vista o número de lesões
de que se tem conhecimento hoje, e talvez por esse motivo o torne a
articulação mais estudada.
Uma história de dor, capaz de
afastar para sempre o monstro sagrado dos esportes, o joelho e suas
lesões afastam o atleta mesmo após uma cirurgia, ou mesmo uma história
de incertezas, como a recuperação de alguns atletas famosos como o
Ronaldo. A fisioterapia tem um papel muito importante dentro deste
cenário, e para comprovar a constância de lesões de quem pratica
esporte, estudos estão sendo feitos em várias universidades como USP,
UfsCar entre outras.
O esporte para pessoas portadoras de deficiência foi criado em
Ayeslesbury, na Inglaterra, quando o neurologista alemão, Ludwig
Guttmann, cria o Centro Nacional de Lesionados Medulares do Hospital de
Stoke Mandeville, visando a reabilitação dos os lesionados da 2º Guerra
Mundial. No Brasil o esporte chegou em 1958, quando os paraplégicos
Robson de Almeida Sampaio e Sérgio Delgrande, fundam respectivamente o
Clube do Otimismo, no Rio de Janeiro e o Clube dos Paraplégicos, em São
Paulo. Em 1975, para estruturar o esporte para portadores de
deficiência, surgiu a Associação Nacional de Desporto para o
Excepcional-ANDE, que agregava todo o tipo de deficiência. Em 1995 foi
criado o CPB para representar e consolidar o esporte no cenário nacional
e internacional, buscando a universalização de oportunidades para o
acesso das pessoas portadoras de deficiência à prática esportiva.
O tratamento fisioterápico tem evoluído muito nos últimos anos. As
imobilizações prolongadas com uso de gesso e repouso estão, à medida do
possível, cedendo lugar a um tratamento funcional, onde exercícios
orientados e atividades programadas tornam-se cada dia mais importante.
Um dos mais graves problemas do atleta e do esportista de uma maneira
geral é o seu retorno tardio e medo de reiniciar sua atividade
esportiva.
Muito tem se falado sobre, a
importância do esporte após a reabilitação, a musculação com o objetivo
de manutenção da força muscular é um hábito adquirido por quem inicia um
tratamento fisioterapêutico e pretende continuar a praticar seu esporte,
ou iniciar um outro esporte após uma lesão. A luta pela reabilitação
física e psicológica. A paciência de esperar a hora certa para voltar. O
dia do retorno.
Na história da Fisioterapia esportiva no Brasil, Nivaldo Baldo teve um
grande papel no desenvolvimento da fisioterapia esportiva, sendo um de
seus precursores. Ele considera que muito dos atletas recorrem ao uso de
produtos químicos, medicamentos, aditivos, hormônios animais, no intuito
de não ficar no anonimato, onde as dificuldades sociais e econômicas
predominam utilizando modernas técnicas de tratamento como a
propriocepção (exercícios de equilíbrio onde o fisioterapeuta provoca
reações de desequilíbrio em vários tipos de terrenos, exercícios
subaquáticos em piscinas térmicas ou não e exercícios bem orientados) os
profissionais dessa área vêm contribuindo para o retorno às atividades.
Segundo Nivaldo, quando um atleta submete-se a algum procedimento
cirúrgico, é com o objetivo de deixá-lo igual ou melhor em sua
performance física, profissional e esportiva anterior. Ele desde a
década de 70 diz que: "joelho operado fica melhor ou pior, igual nunca
mais." E para ficar melhor, tem que ser muito bem operado e muito bem
recuperado com procedimentos de avaliação que comprovem se realmente o
atleta está melhor ou retorna com perdas na sua qualidade e na sua
performance profissional - às vezes, com o encurtamento de tempo de
carreira. Daí a figura do "bichado", que se insere na história do
futebol. Quando o atleta que não foi bem operado e nem bem recuperado
volta ao exercício de sua profissão, ele, por algum tempo, garante
apenas seus ganhos econômicos para alimentar necessidades reais, ou suas
ganâncias pessoais, e as dos clubes, com imensos prejuízos para si.
A fisioterapia é parte importante do processo de reabilitação. Na
ortopedia, traumatologia, reumatologia e medicina esportiva, a
fisioterapia destaca-se em vários níveis de atenção à saúde. Entre eles:
o preventivo, o assistencial (curativo) e o reabilitacional.
Na medicina esportiva, a orientação
fisioterápica abrange a preparação e treinamento do atleta, prevenção e
tratamento das lesões e o retorno precoce às atividades. Essa
reabilitação preconiza a mobilização articular, o trabalho muscular e a
descarga de peso precoce, como atitudes a serem incorporadas ao processo
de reabilitação através de exercícios dinâmicos e cinestésicos, a
propriocepção.
A fisioterapia esportiva no Brasil serve como referência para os demais
países do mundo, apesar dos poucos recursos tecnológicos que dispomos no
momento. Nota-se que cada vez mais, cresce o número de profissionais que
se dedicam a essa área, por se tratar também do esporte mais tradicional
e mais praticado no Brasil.
O grande desafio do fisioterapeuta no meio esportivo, mais
especificamente no futebol, é reabilitar num espaço muito reduzido de
tempo, sem que isto acarrete nenhum prejuízo para o atleta. Uma outra
função indispensável, que hoje vem sendo aplicada é a de reeducar o
atleta e prepará-lo quando o mesmo faz parte das categorias de base.
Esse processo acontece quando se acompanha um garoto, pois ainda em
formação e o seu organismo pronto para sofrer as adaptações necessárias,
o fisioterapeuta tem condições de corrigir nestes jogadores das
categorias infanto-juvenis, possíveis deformidades ou assimetrias
significativas que atrapalhariam sua performance futura. Um grande
exemplo de preparação para jovens talentos do nosso futebol é no São
Paulo Futebol Clube que, conta com um setor de referência mundial na
fisiologia do Exercício, no entanto, outros clubes do futebol brasileiro
cada vez mais, vêm adotando esta pratica terapêutica nas suas sedes. O
São Paulo Futebol Clube tem uma estrutura tão impressionante que é comum
encontrar atletas de times rivais se submeterem a tratamentos e
treinamentos na sua sede.
A Fisioterapia Desportiva no Brasil evoluiu bastante, temos atletas de
alto nível, temos fisioterapeutas em todas as categorias, que participam
de Copa do Mundo ou de campeonatos mundiais de vôlei, basquete,
handebol. A Sonafe,
Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva, hoje vem suprir a
necessidade que se tinha até alguns anos atrás, de organização e
estruturação nesta área.
A fisioterapia ainda tem muito a
contribuir. |